logo

ARTIGO DE OPINIÃO

O chão do processo - por Emanuel Filartiga - Promotor de Justiça em Mato Grosso


Por Emanuel Filartiga

img

Divulgação

Sim! Hora ou outra o processo judicial já foi visto como guerra (Goldschmidt) ou como jogo (Calamandrei). Mas, por favor, senhoras e senhores participantes, ele nunca foi pensando como lugar de ofensas, mentiras, chicanas, joguetes, artimanhas e protelações.


Não me venha com essa de condenação a qualquer custo, defesa a qualquer custo, “vencer: doa a quem doer e custe o que custar”. Não se autodenomine, não se proclame “o paladino da justiça”.


Nenhum processo é maior que a vida de qualquer pessoa. E são as pessoas e as coisas que dão realidade ao processo, mais as pessoas – é bom exaltar. Estas são o sal da terra.


É preciso ver bem claro, mire e veja, que os titulares de direitos e interesses do processo são pessoas reais, cujas vidas serão afetadas por “estratégias” e joguetes de alguns advogados, defensores, promotores e juízes que se esqueceram do que revela o processo judicial.


Ora! O processo não serve apenas ao Estado, para que este resolva as causas que a ele chegam. O processo é lugar de convivência social, é conjunto de relações; é chão onde resolvemos os nossos problemas e buscamos o “bem da vida”.


Sempre pensei o processo como lugar de poder se falar mais em paz, como uma busca de um campo para ouvir e poder ser ouvido, um chão de esclarecimento; para alguns, de clarividência. Pelo menos um “atalho legal”, uma vontade de fugir das soluções violentas e desamorosas da vida.


E esse caminho – que é o processo – não sou apenas eu, é o outro, os outros também. Sou parte – do todo! Quando pudermos sentir o outro, a outra parte, estaremos salvos e poderemos dizer que chegamos ao bem da vida querido. O porto de partida era o porto de chegada. Lembremos, leitor amigo, “todos os dias é um vai e vem!”.


Fazendo um vínculo aqui, um acordo (união de corações) com o nosso Poetinha, o processo é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pelo processo.


Deve-se pensar o processo para a sociedade, para o mundo, para as gentes, idealizá-lo. É ali, naquele chão, que refazemos convivências, acordes, retoques, repisadas e reencontros.


O processo é maneira de resolver problemas, não mecanismo destinado a impedir que o caso concreto seja solucionado. Chega de guerra e de jogatinas, sejamos uma comunidade de trabalho.


*Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso


JUDICIÁRIO

Superior Tribunal de Justiça barra recurso de policiais acusados de tortura

Os agentes tentavam reverter decisões da primeira instância que rejeitaram pedidos para realização de novas perícias e para reconhecimento de supostas irregularidades.


ABUSO SEXUAL

Homem é preso após abusar de mulher desacordada e filmar o crime

A vítima acordou durante o ato, percebeu a situação e imediatamente repreendeu o suspeito, expulsando-o da residência. Em seguida, acionou o marido.


INVESTIGAÇÃO

Justiça pede investigação contra policiais penais dos presídios de Araputanga e Mirassol D’Oeste

Desembargador determinou que a Sejus-MT identifique policiais apontados como autores das torturas também nos presídios de Cáceres e Pontes e Lacerda.

Ver mais

O que é Urgente, não pode esperar! Entre em nosso grupo do WhatsApp e receba alertas de notícias.